O Batismo de Fogo da Patrulha

A Força Aérea Brasileira instituiu a data de 22 de maio como o Dia da Avição de Patrulha, pois no transcorrer da II GM, no dia 22 de maio de 1942, ocorreu o primeiro ataque a submarino realizado pela FAB, cujo relatório de Voo, da tripulção, relata esse episódio da nossa participação no conflito.

Relatório de Voo do Cap. Parreiras Horta
” 23 de maio de 1942 Do: Capitão Aviador AFFONSO CELSO PARREIRAS HORTA. Ao Sr. Comandante da Base Áerea de Fortaleza.

Assunto: Ataque a submarino hostil

1 – Em cumprimento as vossas ordens, decolou desta Base no dia 21 do corrente o avião B-25 62.245 com a seguinte guarnição e armamento:

1º Piloto – 1º Ten. HENRY H SCHWANE

1º Piloto – Cap. P. HORTA e Cap. PAMPLONA

Navegador – 3º Sgt. JOHN G. YATES

Mec. e Artilheiro – 2º Sgt. WILLIAM D. TYLER

Rádio – 2º Sgt. MORRIS ROBINSON

10 Bombas de demolição de 100 libras

4 Metralhadoras .50 em duas torres traseiras

1 Metrlhadora .30 em torre dianteira

2 – Conscistia a missão em patrulhar a costa até a altura de João Pessoa, partindo de Fortaleza e voltando a Natal, reabastecer, a fim de efetuar nova patrulha no escurecer. No dia 22 decolar de Natal antes do nascer do sol e efetuar uma patrulha durante o crepúsculo matutino, tendo como objetivo localizar e atacar submarino hostil que havia afundado o navio do Loyd Brasileiro, Comandante Lira.

3 – Dando início a missão decolamos, as 14:00 horas do dia 21 do corrente, da Base Área de Fortaleza, e efetuamos a patrulha prevista prolongando-se até quase o por do sol, pousando em Natal as 17:05.

Na região de Natal reinava mau tempo com a visibilidade muito prejudicada por fortes aguaceiros. Por esse motivo não foi feita a patrulha da noite e permanecemos em Natal a fim de iniciarmos na manhã seguinte a missão prevista. Neste Voo o Cap. PAMPLONA exerceu as funções de Navegador e eu as de 2º Piloto.

O dia 22 com muito mal tempo, chuva intermitente e nenhuma visibilidade, motivo pelo qual fomos obrigados a retardar a decolagem.

Resolvi então efetuar uma patrulha mais longa, cobrindo rota Natal-Fernando de Noronha-Rocas-Areia Branca-Fortaleza.

Decolamos as 12:15, exercendo o Cap. PAMPLONA as funções de 2º Piloto e eu a de Navegador.

As 13:30 sobrevoamos Fernando de Noronha e desfechamos rumo para Rocas.

As 13: 57 foi avistado na superfície um submarino aberto pela proa cerca de 30º e dada ordem de preparar para o ataque. Este submarino navegava no rumo magnético de 140° em pequena velocidade e com a linha d´agua muito alta; parecendo maior que os nossos da classe T e menor que o “Humaitá”. Levava um canhão na proa e estava pintado de marrom escuro com laivas esverdeadas.

A aproximação foi muito rápida, o que não nos permitiu observar maiores detalhes.

4 – O ataque foi feito de proa à popa de uma altura de 300 (trezentos) metros. Exercia na ocasião as funções de Navegador, e assim observei perfeitamente os pontos de queda; duas bombas caíram a bombordo, muito próximas do casco, suponho que à distancia menor de largura do barco, e as outras pela popa, exatamente no eixo longitudinal e também bastante proxímas. Após o lançamento, o submarino abriu fogo contra nós com o canhão de proa, canhão que até presumo de pelo menos 100 mm, pois as explosões das granadas próximo ao avião eram perfeitamente visíveis, bem como o momento do disparo.

Após a explosão das bombas o submarino iniciou uma série de giros à esquerda, emitindo grande quantidade de fumaça inicialmente branca, e depois preta, parecendo tratar-se de partida de motores diesel.

O submarino não submergiu, mantendo-se atirando contra nós.

Continuamos a circundá-lo comunicando sua posição a Natal e Fortaleza. Como nos ocultássemos várias vezes nas nuvens, e nos afastássemos até cerca de 4 milhas do local, e ele não mergulhasse, deduzimos que ele estivesse impossibilitado de fazê-lo devido a avaria, e assim resolvemos voltar a Natal a fim de obtermos mais bombas.

Pousando em Natal fomos procurados pelo Comandante dos PBY que nos cedeu duas bombas de profundidade de 320 Lbs e decolou imediatamente para o local por nós assinalado. Também soubemos que de Fortaleza dois B-25 haviam feito o mesmo.

Reabastecemos e decolamos as 16:30 rumo a Rocas; sobrevoamos até o anoitecer o local onde havíamos localizado o submarino, nada mais encontrando; pousamos em Fortaleza as 19:15.

5 – Deste primeiro encontro podemos chegar as seguintes conclusões:

a) – a altura de 300 metros é excelente para ver com a mesma probabilidade de ser visto.

b) – a essa altura o ataque só poderá ser conduzido com grande rapidez pois o fogo antiáereo é realmente perigoso; caso não seja possível realizá-lo assim é preferível afastar-se e ganhar altura conveniente.

c) – é indispensável possuir-se no mínimo uma bomba de profundidade.

d) – é preferível atacar somente com algumas bombas, guardando outras para usodo submarino, digo, outras para o caso do submarino submergir o que tornará o novo ataque facílimo e eficaz.

e) – provavelmente será mais acertado permanecer ao longe, fora do fogo antiaéreo até outros aviões chegarem; caso o submarino tente mergulhar, atacar de perto com as cargas de profundidade.

f) – em todo esse Voo, sentimos necessidade de instalarmos mais alguns radiofaróis, pois será sempre necessário voar por instrumentos, especialmente à noite.

(a) Cap. Av. P. Horta

O Batismo de Fogo da Patrulha

 B-25 62.245 Cap. P. Horta – 1º Ten. H Schwane – Cap. Pamplona

 O Batismo de Fogo da Patrulha

Fonte: Transcrito do Livro “Fronteiras – A Patrulha Aérea e o Adeus ao Arco e Flecha – Deoclécio Lima de Siqueira.

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